Camisa do Rio Branco de Campos

Há algum tempo atrás (puta pleonasmo) eu fiz um post sobre a camisa do Rio Branco de Campos, provavelmente o único time brasileiro que tem o rosa como sua cor predominante (a camisa do Atlético desta temporada não conta). Na época eu não achei fotos detalhadas da camisa. Pois bem: o Lê Ribeiro tem uma. Apesar desse jeitão de camisa de time de bairro (tecnicamente ele é), e da cor polêmica (piadistas clubistas, evitem polêmicas desnecessárias por favor) é uma senhora peça de coleção!

Entrevista com Valéria Gouvêa!

Lembram da entrevista que ia rolar com ela? Pois bem: o Bordallo manda pra gente o relato da visita que fez à Meca dos colecionadores brasileiros: a casa da Valéria Gouvêa, da Prorrogação, provavelmente o maior comércio de camisas raras de futebol do Brasil. Bela entrevista, rapaz!


Quando finalmente consegui uma oportunidade de ir pessoalmente no local onde eles guardam as camisas, sabia que muitos conceitos que tinham em minha mente sobre Valéria Gouvêa e seu mundo de camisas raras estaria por ser desmistificado. Assim como todos vocês, também confabulei muito sobre o negócio e a persona à frente deste, dona Valéria Gouvêa.

Numa discreta vila em Copacabana, Rio de Janeiro, sou recebido por ela, uma mulher elegante, simpática, e que ainda se espanta com todo esse status que ganhou por vender camisas para nós, colecionadores aficionados. Chego na casa que serve de showroom, e a reação é como se eu estivesse olhando pra um canal Bloomberg que somente tratasse de camisas de futebol em linguagem visual: é sim MUITA informação relevante concentrada em um só local. Você fica completamente perdido sem saber pra onde olhar primeiro, porque em cada canto tinha alguma camisa que em algum momento da minha vida eu lembro de ter visto em algum lugar. Fora a reação de ver, e poder tocar, camisas que eu NUNCA sonharia em sequer ver de perto, camisas que até mesmo para achar uma imagem na internet é uma missão quase impossível, e estavam lá!

Confira abaixo a entrevista feita com Valéria Gouvêa, respondendo inclusive à perguntas enviadas por vocês:

Primeiramente, pro pessoal te conhecer melhor, conte um pouco de você pra gente. Até porque agora somente sabemos seu nome, que você mora no Rio de Janeiro e a escada da sua casa tem azulejos brancos…

Antes de tudo, gostaríamos de agradecer a oportunidade e fazer parte destes 2 Blogs tão conceituados e aproveitar para elucidar que somos uma empresa, a Prorrogação, que tem eu e o José como sócios.

Começamos a vender camisas de futebol em uma lojinha que tínhamos na cidade de Búzios, aqui no Rio de janeiro. Como lá é uma cidade turística, existe uma enorme circulação de estrangeiros do mundo inteiro.

O José, como um bom peladeiro, louco por futebol, fazia eventuais trocas de camisas com os “gringos”, ou seja, trocávamos camisas da Seleção Brasileira e times brasileiros, por camisas de vários times e seleções. Nesta época não entendíamos nada de camisas, apenas que eram camisas oficiais e importadas.

Com isso, ele tornou-se um pseudo colecionador de camisas de futebol.

Em determinada época, fechamos nosso comércio, e por sugestão de meu filho, resolvemos fazer negócios através do Mercado Livre.

A idéia de começar a vender camisas raras veio também pela paixão que temos pelo futebol. Tanto por assistir e acompanhar todos os campeonatos como pela beleza que os uniformes transmitem para nós.

De lá para cá, fomos criando uma enorme rede com pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao mundo do futebol.

Agora sendo mais especifico, você se dedica exclusivamente à esse negócio de venda de camisas de futebol ou tem alguma outra ocupação?

Hoje temos uma pequena empresa e esta é nossa exclusiva ocupação.

Anteriormente a ter começado esse negócio você já se dedicava a alguma outra atividade comercial ou cursava alguma faculdade ou curso do gênero?

Sim, nós trabalhávamos com comércio de outros produtos.

Levando em conta que você possui muitas, você tem também uma coleção pessoal (ou já chegou a ter em outra época) ou somente se dedica à venda das mesmas?

No momento, nós dedicamos apenas a colecionar camisas do Náutico, inegociáveis.

[se sim] dessas suas peças, quais são as mais raras e as que você gosta mais?

As que mais gostamos são as dos irmãos Nado e Bita, jogadores que atuaram no hexa campeonato dos anos 60.

Você torce pra algum time ou, por negociar peças dos times mais variados, optou por uma certa neutralidade?

Impossível ter neutralidade! Sou botafoguense e o José é vascaíno. Somos 100% democráticos. Só pra ter uma idéia, temos filhos flamenguistas.

Falando em neutralidade, você já chegou a conseguir alguma camisa de árbitro?

Sim. Já conseguimos de um árbitro mexicano e de um brasileiro.

Dessas todas camisas que você dispõem à venda, tem alguma que é a sua preferida, seja pela beleza ou raridade?

Gostamos de muitas. Fica difícil de responder.

De todas as camisas que já passaram pela sua mão, qual (ou quais) você considera a mais rara de todas?

Uma delas é a do Zidane usada na final da copa de 98 na França. Outra seria a do Dino Sani, usada e autografada, da copa de 58. Temos também ternos usados e autografados pelo Pelé, entre outras peças.

Tem alguma camisa que você não tem, mas gostaria de ter na sua coleção ou entre suas peças à venda?

Muitas camisas. Levaria um dia para relacioná-las.

Por que você limita a venda de suas peças ao comercio eletrônico se instituições e mesmo ex-jogadores – que possuem coleções com menos raridades que você – chegam a vender suas peças através de grandes casas de leilão no exterior?

Já tivemos algumas experiências com casas de leilão, por sinal, não muito boas. Estivemos na Christie’s e deixamos algumas peças para serem leiloadas. Muitos custos, com fotos, impostos, etc. Tudo em libra. O que sobra é pouco e nem vale a pena. Vale ressaltar, que de um tempo para cá, você pode encontrar nos catálogos da Christie’s, camisas réplicas com autógrafos grotescamente falsificados. O nível caiu muito. O próprio Zagalinho se arrependeu profundamente de tentar vender seu acervo por lá. No Brasil, participamos de um renomado leilão, aqui no Rio. Nosso lote foi todo arrematado por excelentes valores. Na hora de recebermos o dinheiro, descobrimos que nada havia sido vendido, foi tudo armação.

Desde o início você já dispunha de escritório pra vendas?

Sim, sempre tivemos um escritório, porém era em nossa residência.

Quando você sentiu a necessidade de estabelecer um escritório para tanto?

Nosso estoque foi aumentando e com isso sentimos necessidade de um espaço maior, até por que, tínhamos que oferecer maior conforto para nossos clientes. Dispomos de um “open bar” para que eles relaxem enquanto apreciam as camisas.

Em comparação com os clientes online, qual é a proporção de clientes que você recebe no escritório? Alguma diferença pontual entre esses dois tipos de consumidores, além da proximidade geográfica com o escritório?

Com certeza a quantidade de clientes online é bem maior, justamente por conta da distância que nos separa. Mesmo assim, recebemos clientes de toda parte do mundo e de todo Brasil. Fizemos muito amigos, e é isso que torna nosso trabalho ímpar.

Apesar de parecer um pouco indiscreta, a pergunta que é unanimidade entre os colecionadores é , afinal, COMO QUE VOCÊ CONSEGUE TANTAS CAMISAS? Você de fato tem contatos na CBF para facilitar o acesso aos donos originais dessas camisas?

[ essa resposta o Bordallo deixou no novo blog dele, o ESPORTE-À-PORTER… Confiram! ]

Patrocinador petulante

Dentre os patrocinadores curiosos que o Rio Branco de Americana já ostentou em suas camisas – como a Lowe Loducca em 1999, que aliás fez um anúncio fantástico sobre o fato, deve estar em algum anuário por aí – alguns podem ter causado constrangimentos aos atletas que as vestiram. Vejamos o caso deste modelo, achado no álbum do Lê Ribeiro. O “Ponto Frio” na frente tá OK, o problema é o patrocínio atrás, dingo do Jô Soares…

Camisa do Maringá Futebol Clube

Fuçando na coleção do Carlos Cardoso, achei esta pérola – a camisa do Maringá Futebol Clube (não confundam com o Grêmio Maringá. Ou confundam – parece que esse era um time sem ligação com o time da cidade, ajudem-me historiadores!). De qualquer modo, a camisa é realmente diferente de qualquer outra coisa produzida até então – e olha que costumam brotar algumas camisas doidas no futebol paranaense, como essa do Londrina…

Camisa do HNK Rijeka (quem?)

Sairam no FSC as novas camisas do HNK Rijeka, da Croácia. Vejam a piração que a Jako criou pra eles: gola pólo, aplique assimétrico…creio que já podemos afirmar que os anos 2010, que começaram com releituras de camisas no estilo dos anos 90, serão caracterizados por um padrão de camisas diferente do que já foi criado no passado, não?