Anúncio de lançamento da camisa do Grêmio

Essa saiu no Brainstorm#9, e quem me falou foi o leitor (e colega de firma) Raphael Aleixo): os anúncios que a Talent fez pra camisa do Grêmio são de arrepiar. Conforme diz o blog: “Para divulgar a nova camisa do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, lançada pela Toppersemana passada, a Talent criou dois anúncios feitos com fios reais de camisa, celebrando a história do time.”

 

Topper_Gremio_America

Topper_Gremio_Mundo (1)

Análise aprofundada das camisas do Grêmio

Postos os critérios desta nova categoria de posts (aqui), falemos sobre as novas camisas do Grêmio, gentilmente enviadas pelo pessoal da Filon (valeu Priscila!).

Contextualizando: qualquer um de nós que acompanha o mercado, em um dado momento, já foi viúva da Topper Argentina, enaltecendo a qualidade dos desenhos, dos materiais e dos acabamentos das camisas que vêm sendo produzidas por lá desde meados da década de 90.

Enquanto isso, a Topper brasileira andou meio dormida, tendo ressurgido no mercado no final da década de 90 com camisas marcantes, como a camisa de 90 anos do Corinthians (ainda mais bonita que a do Centenário, talvez pela feliz ideia do logo da Topper sem o “Topper” e pelo logo retrô da Pepsi) mas com alguns problemas técnicos – quem tem as primeiras camisas do São Paulo, com a “redinha” nas costas e o número aplicado em cima (estará ele ainda aplicado?) sabe do que eu estou falando).

No ano passado, com uma nova aparição da marca, logo novo e tudo, ficava a expectativa de um novo patamar de qualidade. Ele se confirmou na coleção correta do Atlético Mineiro, mas ainda ficou um gosto de “quiero más” ao se considerar as belas camisas de Newell’s (aqui analisada) e Estudiantes.

Dá pra dizer que, nesta coleção, começamos a empatar o jogo. Chamaram a atenção o cuidado com os detalhes e os materiais utilizados – com um ponto ou outro dignos de aperfeiçoamento – além da beleza da coleção, devidamente registrados por aqui. Assim, de forma geral, os atleticanos podem ficar esperançosos com a coleção deste ano – não me parece que a qualidade das camisas aqui demostradas tenha sido apenas para impressionar os gremistas que ficaram com o pé atrás após a saída da Puma.

Analisemos uma a uma, e consideremos suas peculiaridades.


180220111031

A camisa 1 é a que tem o tecido mais leve e fino, nada que arranque suspiros, mas que permite que ela fique bem ajustada ao corpo sem proporcionar o efeito “mamilos” que algumas camisas justas proporcionam.

O uso do branco como “cor de desempate” nos detalhes foi acertado (gosto das camisas listradas do Grêmio onde o branco é predominante), arejando um pouco um desenho com cores tão intensas – aliás, com daltonismo e tudo, posso dizer que o tim de azul claro está muito bonito.

Torci um pouco o nariz pro Banrisul branco com contorno azul, mas presumo que tenha sido um movimento para diferenciar um pouco esta camisa das camisas da Puma, onde o Banrisul era branco com o contorno preto – fato é que deu a impressão de não “quebrar” as listras pretas (assim como o Tramontina branco na listra azul manga não comprometeu – ah saudade de quando os patrocinadores não destruíam as camisas…).

Ainda falando das listras, a interrupção delas na altura dos ombros pela faixa branca e pelo ombro azul ficaram muito boas (nas costas eu acho que o “cabide” branco era dispensável).

Outros detalhes como a barra branca da camisa, e a lateral azul com estrelas na padronagem do tecido, deram o toque de qualidade final.

Foi testada em uma ida à padaria, sem despertar grandes expressões de entusiasmo nem reprovação. Mas por mim tá aprovada.

WOW Factor: 5 de 7 (considerando que o 0 é um zero; um 3 significa que a camisa está OK, mas não arrepia o braço; e que um 7 é aquela camisa que você olha, pronuncia um palavrão e quer comprar na hora)

210220111040210220111045210220111048210220111051210220111052210220111053210220111054210220111055210220111056210220111057210220111058210220111059210220111060


180220111032

Se a camisa 2 foi a que menos me agradou quanto ao desenho (sei lá, acho que camisas com duas faixonas verticais ficam meio, hã, bobas), foi a que mais me impressionou quanto aos materiais: o tecido parece mais grosso, mais firme, deixando a camisa classuda pacas – além de outro material ter sido usado nas faixas. Nessa a Topper se esmerou.

Usei em um passeio no Parque Villa Lobos, e não houve manfestações (salvo a de um senhor aposentado, que pronunciou um “grêmo” assim que eu passei, sabe-se lá por quê).

WOW Factor: 4 de 7 (considerando que o 0 é um zero; um 3 significa que a camisa está OK, mas não arrepia o braço; e que um 7 é aquela camisa que você olha, pronuncia um palavrão e quer comprar na hora)

210220111041210220111044210220111067210220111066210220111063210220111064210220111062


180220111030

E agora a cereja do bolo: não é a primeira camisa com uma criz aplicada no peito, mas pra mim foi a de melhor combinação de cores e formas até agora. Essa camisa chamou bastante a atenção – foi testada em uma festa infantil e gerou frisson, a ponto do pai do aniversariante ter dito que, se eu desse a camisa pra ele, eu faria check-in no coração dele…  Um pitaco estilístico: acho que a gola branca era desnecessária, se ela fosse da mesma cor do tecido, a cruz ficaria ainda mais valorizada. O tecido também é diferente, aparentemente o mais simples de todos, mas que não compromete o conjunto da obra. O único item a preocupar foi a cruz preta, que é aplicada na camisa, e que (espero eu) dela não se desprenda. De qualquer modo, pra mim é a camisa mais bonita da coleção, digna de deixar os hermanos argentinos com inveja.

WOW Factor: 6 de 7 (considerando que o 0 é um zero; um 3 significa que a camisa está OK, mas não arrepia o braço; e que um 7 é aquela camisa que você olha, pronuncia um palavrão e quer comprar na hora)

210220111042210220111043210220111069210220111070210220111071210220111072210220111073210220111068


Balanço final: se este nível de qualidade será mantido para as próximas coleções, torçamos que sim. Fato é que a nação gremista está muito bem fardada para este ano. Que a Topper nos contemple com mais e mais trabalhos de qualidade como esse.

Nova categoria de posts – Impressões ao Vestir

De uns tempos pra cá, alguns fabricantes de material esportivo têm se aproximado do blog, eventualmente enviando seus produtos para minha apreciação ou mesmo como uma gentileza (vocês devem se lembrar do ano passado, onde a camisa do Flamengo enviada pela Olympikus rendeu um post riquísimo. Pois bem: neste ano já tivemos a camisa do Santos, e outras chegaram na semana passada).

É um fato que me enche de orgulho – pensar que os últimos quatro anos, os quase 2 mil posts, as 100 mil visitas mensais e a rede de amigos aqui construída constituíram um ambiente que os responsáveis pela marcas acompanham – as mesmas marcas que tantos de nós também acompanhamos, veneramos, rabiscamos mockups e por aí vai.

E que traz uma responsabilidade sobre a postura a se tomar: tietagem ou jornalismo? Este é, sobretudo, um blog feito com paixão, e que trata de uma paixão, e em dados momentos ela simplesmente não anda de braços dados com a razão. Ao mesmo tempo, há uma responsabilidade com quem acredita na minha avaliação isenta sobre um item por ela produzido, quer seja o fabricante, quer seja o leitor (evocando a velha discussão sobre blogs e posts patrocinados).

Assim, estabeleçamos os critérios: ao receber algum produto para avaliação (ou mesmo se me cair às mãos uma camisa ganha, emprestada ou comprada), ela será feita na categoria “Impressões ao Vestir”, com o devido nível de gentileza para com o solicitante, mas nem por isso deixando de apontar, desde o meu modesto ponto de vista, onde tal produto pode ser aperfeiçoado, e minhas impressões finais, com a devida dose de subjetividade que certamente será compreendida pelos leitores. Acredito que a postura mais justa e prazeirosa a tomar.

Estamos combinados? Então preparem-se que na sequência teremos uma bela avaliação!

Camisas do Oriente Petrolero

Este álbum do Facebook mostra uma belíssima coleção de camisas do Oriente Petrolero, da Bolívia. É claro que a história das camisas do time não se resume às que são objeto deste post, mas fato é que nunca imaginei que um time fosse responsável por tantas camisas pitorescas num período tão curto. Dava pra fazer um álbum do Tumblr no estilo porraorientepetrolero.tumblr.com só com elas…

168741_1721336388723_1097717371_31992831_1814980_n.jpg

OK, copiar a Alemanha’90 não é um pecado imperdoável. Complicado é copiar a cópia – a Penalty fez uma desas igualzinha para o América Mineiro, em 1991.

35944_1514209570682_1097717371_31540045_7180050_n.jpg

Esse desenho é originalmente de uma marca espanhola chamada Rox, que fornecia para o La Coruña no início dos anos 90, que já foi tema de post por aqui – só depois disso é que a Umbro apareceu e criou a camisa emblemática da era Bebeto e Mauro Silva, e tão copiada por aqui. Fato é que a Uhlsport nunca teve nada a ver com sua concepção…

35944_1514209450679_1097717371_31540042_2083544_n.jpg

Esse desenho foi feito pela Hummel para a Dinamarca, em 1992… Puma, o que você está fazendo ai?

photo_thumb (1).jpg

Não me lembro quem foi o primeiro criador desse padrão – se não me engano, a primeira vez que eu vi alguma coisa parecida foi numa camisa 3 azul do Manchester United do começo dos anos 90, que era feita pela…adidas.

167222_1776505167908_1097717371_32113149_6939197_n.jpg

O uso indiscriminado deste template até que é compreensível: ele era originalmente da seleção do Japão, e vários fornecedores, como adidas, Puma e Mizuno, o utilizaram para as camisas daquela seleção nos anos 90. Mas é fato que mais ninguém usou, ao menos oficialmente…

156377_1686552719153_1097717371_31913842_5294503_n.jpg

Esse desenho até passa – se não me engano, a Puma já havia feito um desenho parecido para o Fortuna Dusseldorf. Ou será que foi a Umbro?

155612_1684145458973_1097717371_31909967_7712454_n.jpg

Aqui não houve usurpação de desenho de outras marcas – a Penalty simplesmente pegou a camisa do Coritiba, pôs as duas braçadeiras verdes e o símbolo do time.

156377_1686552759154_1097717371_31913843_7870597_n.jpg

Tá, aqui aparentemente não roubaram o template de ninguém. Mas usar essas três listras costuma dar problemas…

47621_1686565519473_1097717371_31913861_3694908_n.jpg

Tá, esse é o único caso em que um template não foi copiado. Aliás, eu confesso que nunca tinha visto esse template. Alguém?

photo_thumb1.jpg

E para fechar com chave de ouro, esta jóia. A legenda diz: “casaca de pedro higa, jugada en la paz en las finales con bolivar torneo apertura, en la foto esta inconciente la sandia“. Me pergunto por que o goleiro do time jogaria com uma camisa de treino do Bahia (e que circunstâncias o deixaram inconsciente…)

Camisa do Bahia comemorativa ao título de 1994

Alguém tem fotos melhores? (por enquanto me virei com essa, da Tribuna da Bahia)

Agora com uma foto melhor, do A Tarde (valeu Bruno!)

Vê-se que a reprodução é muito bem feita, incluindo o calção em tom mais escuro, como no uniforme de 1994 (aqui, um exemplar da Amddma, tirado da Enciclopedia – o do título era igual, mas levava a marca Proonze).

O único pitaco é que o logo podia ser branco – aí a camisa ficaria realmente fantástica (aliás, pra mim esse logo da Lotto, que vêm sido usado nas camisas comemorativas, com a da Ponte Preta de 110 anos e a centenária do Coritiba, é tão bonito e bem resolvido que podia voltar a ser o logo titular da marca).

(mais fotos – valeu Arilde e Uitalo!)

Ferroviária em momento Bordeaux (ou Velez?)

Valeria Gouveia vendeu essa pérola os anos 90: uma camisa da Ferroviária de Araraquara que é uma homenagem viva aos estilos mais diversos: as duas faixas diagonais nas mangas evocam as camisas adidas do começo daquela década; o chevron traz à mente o Bordeaux, mas pode muito bem ter como refeência o Vélez, que estava em alta por àquela época. A gola pólo é o dernier cri daquele período, e os símbolos da AFE no V…bom, só me ocorre inspiração nas camisas da Admiral dos anos 80. O preço dessa aula de História desportiva: 200 paus.